Intelectual, dono de razoável condição financeira, que lhe permite viajar muito e fruir das boas coisas da vida, Martins possui hoje um acervo fotográfico de nada menos do que 18 mil cromos e cerca de 15 mil negativos de qualidade. Em julho de 1996, mostrou na Galeria Jardim Contemporâneo, em Ribeirão Preto, uma retrospectiva dos últimos 15 anos de seu trabalho fotográfico, reunindo mais de 100 imagens, incluída a série Macrotonias.
"Chesterton escreveu que todos os dias, quando a gente acorda, deve abrir a janela e ver com atenção o que há lá fora. Sempre descobriremos algo novo. Sou adepto dessa prática desde a infância, ainda no planalto catarinense" recorda Fábio Martins. "Costumava me deslumbrar com a colorida revoada de papagaios, gralhas azuis e negras. Mais tarde - e tendo a filosofia grega a me apoiar, passei a ver com mais carinho ainda tudo o que me dá prazer. Um besouro, uma flor, um pássaro - a beleza me leva à possibilidade de permanecer na esfera do uno para chegar ao múltiplo e, assim, me comunicar com o outro. A própria realidade do encontro homem/mulher simboliza nossa ânsia da busca do todo.
Martins e sua mulher Maria Cândida foram proprietários da saudosa Livraria Hedonê (uma homenagem a Epicuro), que existiu em São Paulo por três anos, na década de 60, e fez história, ao se transferir para Ribeirão Preto, onde foi importantíssimo pólo cultural, de 1968 a 78. O casal também ajudou os pais de Maria Cândida a tocar, até 1994, um dos mais tradicionais hotéis da cidade, o Palace Hotel, que integra o Quarteirão Paulista, junto com o hoje restaurado Theatro Pedro II e o Edifício Meira Júnior. Culturalmente inquietos, Fábio e Maria Cândida, junto com outro fotógrafo da cidade e um empresário local, agora estão empenhados em criar um núcleo de fotografia em Ribeirão Preto. "Tenho uma vasta biblioteca, com bons livros técnicos, incluindo alguns distribuídos pela Editora Íris", revela o fotógrafo. "Vamos transferi-la para o núcleo, que também terá um show room para venda de imagens ao público e um estúdio para a produção de fotos artísticas. Meus 66 anos são apenas cronológicos. No fundo, continuo com 30", finaliza Fábio Martins, com o otimismo de um jovem.
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