Como move o coração, os
olhos
Como move a inspiração, a
transpiração, os poros
Como move os sentidos, os juízos, a
abstração,
Como move a alma, dentro
dos corpos, almas
cálidas,
Como move a vida, essa
sina recebida
De encantar-se à toa, de
desencantar-se também...
Como move a vida, as
palavras comedidas, as rimas
O tecer dos versos, os
sentimentos expressos, expostos
Todos postos à deriva de
mim, só para este fim.
Como move a mim, entre
frases e gestos, entre o
Que faria e o que fiz,
entre mim e meu manifesto
Como move a mim, eu frente
ao abstrato e o concreto
Sem mascara nenhuma, sem
defesa alguma, só poesia
Como são, como seria? Sem
construir-me ,
O construído por si só
como seria?
Comove, comovida, comove a
mim...
Como a vida me comove em
fim...
Tonho França