Tuas mãos em concha me envolviam Como água eu
fiquei E fiquei por muito tempo Aos poucos me dei conta Meu lugar não
era ali Parada, sendo observada Eu faço parte das nascentes Que correm
livres no meio das montanhas Que nascem escondidas e vão tomando formas
próprias Que são maiores do que a concha de tuas mãos. Que querem semear
terras, Limpar o impuro Saciar a sede Ser potáveis Úteis para
vida e tuas mãos em concha me prendiam Ingenuamente
sarcástico Transpareciam questionamentos fúteis De onde ela vem, para onde
ela vai, Alguém já se saciou dela? Talvez essa água seja
impura... Agora eu rio, Água evapora, evaporei.... Voltei para minhas
origens, virei nuvem Estou escondida no meio de tantas outras Vou virar
chuva e irrigar terras secas Naturalmente cíclica.