Naturalmente Cíclica



Tuas mãos em concha me envolviam
Como água eu fiquei
E fiquei por muito tempo
Aos poucos me dei conta
Meu lugar não era ali
Parada, sendo observada
Eu faço parte das nascentes
Que correm livres no meio das montanhas
Que nascem escondidas e vão tomando formas próprias
Que são maiores do que a concha de tuas mãos.
Que querem semear terras,
Limpar o impuro
Saciar a sede
Ser potáveis
Úteis para vida
e tuas mãos em concha me prendiam
Ingenuamente sarcástico
Transpareciam questionamentos fúteis
De onde ela vem, para onde ela vai,
Alguém já se saciou dela?
Talvez essa água seja impura...
Agora eu rio,
Água evapora, evaporei....
Voltei para minhas origens, virei nuvem
Estou escondida no meio de tantas outras
Vou virar chuva e irrigar terras secas
Naturalmente cíclica.

Kátia Mendes
17/01/2002
 
(Imagens de base: Jim Warren)

 

 

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